sexta-feira, 9 de abril de 2021

Se não se importam ... um desafio (ACTUALIZADO)

Decidi, em reunião caseira ligada à blogosfera, perguntar aos ilustres visitantes deste simpático espaço, que música preferem ouvir no próximo dia 17. É um sábado e em vez de ser eu a escolher, será a maioria a determinar.

Simples, basta indicar o nome do(a) cantor(a) e da interpretação que desejem ouvir. Podem fazê-lo até dia 15 (5ª feira). O resto é comigo.

Devem, por favor, enviar para o meu endereço electrónico (antoniodias23@gmail.23). As respostas serão publicadas, em simultâneo, no dia 16 (6ª feira). 

Grato pela disponibilidade e, naturalmente, pelo (vosso) bom gosto.

Uma óptima sexta feira para todos. E não esqueçam que amanhã há 'Música ao Sábado'.


Alteração a ter em conta: os leitores indicam os seus gostos, publicá-los-ei lá mais para a frente e aí sim, votam na que mais gostam.

Desculpem qualquer coisinha mas temos que ir aperfeiçoando.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Entre os Rios

A queda
Quando a centenária Ponte Hintze Ribeiro, que ligava o concelho aveirense de Castelo de Paiva à localidade de Entre-os-Rios, já em Penafiel, caiu, Portugal acordou para si mesmo. Num interior demasiado próximo para ser profundo, 59 pessoas morriam numa infraestrutura degradada, onde a incúria e o esquecimento permitiram que colapsasse.

Era só mais uma tragédia num território habituado a abrir noticiários apenas quando as suas gentes sofrem — seja por catástrofes naturais, fruto de decisões económicas ou acidentes.

Começando no final do século XX com o encerramento do complexo mineiro do Pejão, e terminando nas ruínas das fábricas que arderam já no verão do ano passado, cruzamos o tempo para encontrar o mesmo silêncio que havia neste lugar nos instantes que antecederam a queda da ponte — e trouxeram com eles o barulho das luzes e das promessas.

Duas décadas depois, falta ainda cumprir as ligações para fora do concelho: ligando o IC35 (para Penafiel) e concluindo a variante à Nacional 222 (para Santa Maria da Feira).

A nova ponte


terça-feira, 6 de abril de 2021

Sim, quem diria?

Quem diria que um barco encalhado poderia ser a principal notícia no mundo dos negócios na última semana? O Ever Given (na foto) foi o protagonista na maior parte dos meios de comunicação social, depois de ter ficado preso no Canal de Suez, localizado a 120km do Cairo, no Egipto, e bloqueado aquela que é uma das mais importantes rotas marítimas do comércio mundial. Os seis dias de duração do bloqueio, que terminou esta segunda feira com a embarcação finalmente a retomar a sua rota, parecem pouco no papel, mas podem ter afectado negativamente as cadeias de abastecimento de várias indústrias.

Antes da história, um pouco de História.

O Canal do Suez foi inaugurado em 1869, depois de ter sido motivo de vários conflitos, incluindo o próprio Império Português com o Império Otomano durante os Descobrimentos. O canal liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, servindo como uma das principais rotas de comércio entre a Europa e a Ásia. Mas não só. Actualmente, estima-se que 12% a 15% do comércio mundial passe pelo Canal de Suez sendo que, em 2020, passaram por lá cerca de 19.000 barcos (51 por dia) com cerca de 1.500 milhões de toneladas em mercadorias, de acordo com a Autoridade do Canal de Suez (SCA).

Egipto: estima-se que o Canal do Suez, contribua para a economia do país qualquer coisa como 2% do PIB.

Petróleo: em 2020, estima-se que o canal de Suez sozinho tenha sido responsável entre 5% e 10% do comércio mundial de petróleo. Imagine o efeito no seu preço e nas indústrias que dele dependem se alguma coisa fosse acontecer a esta rota.

Agora sim, a história.

No dia 24 de Março, o porta-contentores Ever Given encalhou no canal e impediu que as centenas de embarcações que por lá passam diariamente pudessem prosseguir as suas rotas. Da China em direção a Roterdão, o navio com 400 metros de comprimento (o equivalente a quatro campos de futebol) acabou, ainda inexplicavelmente, preso nas margens de Suez, que tem apenas 190 metros navegáveis de largura. Com tantos barcos desta dimensão a passar no canal, a surpresa é isto não acontecer mais vezes.

Com 220 mil toneladas de mercadorias, avaliadas em 9 mil milhões de dólares, paradas no meio do mar, soaram os alarmes em várias empresas e indústrias, que viram não só os seus produtos incapazes de chegar ao destino, como temeram o que ia acontecer com os navios que “vinham atrás” do Ever Given. Isto porque apesar do incidente ter sido um óptimo catalisador de ‘memes’ e piadas online, a incerteza de quando é que a situação podia ser resolvida (houve quem dissesse semanas) levou a que empresas corressem o risco de ver o seu negócio ficar, também ele, completamente “encalhado”.

Remar contra a maré. Os efeitos do “Bloqueio de Suez” só poderão ser completamente analisados nas próximas semanas, quando os atrasos de fornecimento de produtos se fizerem sentir nas lojas físicas ou online. No entanto, há algumas consequências que já podem ser identificadas:

Mais de 300: o número de embarcações presas devido ao bloqueio. Nem todas eram porta-contentores como o Ever Given, mas dá para ter uma noção de que estiveram muitos milhares de milhões de dólares simplesmente a flutuar ou a afundar, dependendo da perspectiva.

Rotas familiares: muitas embarcações decidiram não esperar pelo fim do bloqueio e optaram por ir por outros caminhos. Uma das escolhas mais populares? A rota do Cabo da Boa Esperança, realizada por Vasco da Gama na descoberta do caminho marítimo para a Índia. São “só” mais 9 mil quilómetros e sete dias de navegação. - O próprio Canal estimou estar a perder cerca de 14 a 15 milhões de dólares por dia em receitas, devido a taxas que não estavam a ser cobradas.

Exemplos de indústrias afectadas:

Petróleo: redução da oferta >> subida do preço.

Papel higiénico: a empresa responsável por um terço da polpa utilizada na produção dos rolos viu o seu fornecimento ficar preso em Suez >> escassez de papel higiénico e uma nova histeria nos supermercados.

Café: vários dos contentores parados tinham o tipo de café que a Nescafé utiliza para o seu café instantâneo >> menos café nos supermercados e manhãs mais difíceis.

Chá: A empresa holandesa Vans Rees Group, líder de mercado, disse ter 80 contentores parados em 15 navios >> o chá das cinco ficar chá da próxima semana.

Seguros: a maior parte das empresas vai exigir compensação pelos danos causados pelo bloqueio >> um processo complexo de distribuição de culpas e um risco grande de liquidez para algumas seguradoras.

Lições para o futuro: Apesar de todo o desenvolvimento tecnológico observado nas últimas décadas, para qualquer empresa que venda os seus produtos no mundo inteiro, mesmo com a logística mais bem preparada de sempre, a diferença entre lucro ou perda pode ser um barco encalhado.

Fonte: Sapo Notícias

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Lembram-se?

Julgamento da morte de George Floyd: polícia de Minneapolis considera “absolutamente desnecessária e injustificada” a força usada.

O agente mais experiente da Polícia de Minneapolis, Richard Zimmerman, considerou na passada sexta-feira em tribunal "absolutamente desnecessária e injustificada" a "força mortal" usada por um ex-polícia para controlar o afro-americano George Floyd, que morreu asfixiado em maio.

Richard Zimmerman é polícia há cerca de 30 anos, 25 dos quais em Minneapolis, e é uma das testemunhas no julgamento de Derek Chauvin, o antigo polícia de Minneapolis acusado do homicídio de George Floyd. O julgamento começou na segunda-feira e tem sido transmitido pela televisão.

Zimmerman, que se apresentou na audiência como "o número um em antiguidade", dirige a unidade de homicídios da Polícia de Minneapolis e, nesta qualidade, supervisionou o início da investigação interna à morte por asfixia de George Floyd, em 25 de Maio de 2020, na via pública, e que chocou os Estados Unidos e o resto do mundo, que saíram à rua em manifestações contra o racismo e a violência policial.

Nesse dia, quatro agentes da Polícia de Minneapolis prenderam Floyd, negro, por supostamente ter usado uma nota falsa de 20 dólares (17 euros) num supermercado.

Depois de algemado, George Floyd foi imobilizado no chão. Derek Chauvin, branco, ajoelhou-se sobre o seu pescoço e manteve a pressão durante mais de nove minutos, mesmo depois de o afro-americano ter desmaiado e indiferente aos apelos de transeuntes. A imagem correu o mundo.

Acusado de homicídio, Derek Chauvin, que foi expulso da Polícia de Minneapolis e está detido, declara-se inocente e alega que seguiu uma prática autorizada para controlar um suspeito reincidente e potencialmente perigoso.

"Não vejo porque é que os agentes se sentiram em perigo", disse em tribunal o agente Richard Zimmerman, acrescentando que o risco de um polícia ficar ferido "diminui fortemente" quando um suspeito está algemado.

"Colocá-lo de bruços com um joelho no pescoço por tanto tempo foi simplesmente injustificado, absolutamente desnecessário", afirmou Zimmerman, acentuando que "ajoelhar sobre o pescoço de alguém pode matar", é uma "força mortal".

O polícia salientou que na sua formação foi informado sobre os riscos de deixar alguém caído de bruços. "Tem de ser o mais breve possível, porque isso dificulta a respiração", sublinhou.

O advogado do ex-agente Derek Chauvin procurou descredibilizar o testemunho de Richard Zimmerman ao sugerir que a formação dos polícias terá mudado.

Zimmerman retorquiu que manter alguém caído de bruços é sempre perigoso. "Isso não mudou".

As sessões do julgamento de Derek Chauvin retomam hoje e deverão continuar mais duas ou três semanas, esperando-se um veredicto no fim de abril ou no início de Maio.

Os outros três polícias implicados, Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao, serão julgados em Agosto acusados de cumplicidade no homicídio.

Fonte: LUSA/Expresso