sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Estratégias

A Alemanha fica, para já, com a TAP. Há 15 anos, Berlim quis a EDP, mas a elétrica foi para a China, que ficou também a controlar a Fidelidade e o BCP (BCP esse que tinha ficado com o BPA), os outros bancos passaram para mãos espanholas, enquanto o Novo Banco foi para os EUA para acabar em França, tal como a velha Portugal Telecom (agora nas mãos dum empresário franco-israelo-marroquino).

É olhar para Portugal e ver como esta estratégia foi avançando com uma liga de políticos privatizadores, desde Cavaco Silva, passando por Durão Barroso (passou pela Comissão Europeia e acabou num banco dos EUA) até Maria L. Albuquerque (passou por um fundo de investimento dos EUA e acabou na Comissão Europeia), incluindo dezenas de outros ministros, de todos as partidos do arco da governação, que, após prestados os serviços, foram para cargos de topo das empresas anteriormente públicas, vendidas, ao desbarato, pelo mundo fora, de Angola à Alemanha.

A soberania financeira foi para Frankfurt, a estratégia política/militar para Bruxelas, Comissão Europeia/NATO, as casas e palacetes, o centro de Lisboa, para os ‘vistos gold’ e fundos imobiliários.

A seguir virão atrás das terras e minérios que ainda sobram. Finalmente, tentarão privatizar as praias e a água.

Isto não é ser de esquerda, de direita ou do centro. É ser contra um país em saldos que há um quarto de século teve de sacrificar a sua indústria têxtil para a Alemanha poder vender mais carros na China. Não têm sido bem ‘vendas’ ou ‘privatizações’. Tem sido um misto de burla, assalto e mutilação. Levaram-nos a camisa, venderam-nos os anéis, paralisaram-nos as mãos e as pernas. Agora levam-nos as asas. 

 

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A palavra de quem sabe.

O bilionário Sir Richard Branson lançou um ataque mordaz contra Trump, denunciando a sua política de apaziguamento em relação ao ditador russo Vladimir Putin.

Este é, exatamente, o tipo de coisa que enfurece Trump profundamente.

“Nunca pensei que teria de dizer isto na minha vida, mas estamos em 2026 e, infelizmente, já nada é como antes”, escreveu Branson, fundador do Grupo Virgin, no LinkedIn. “A administração Trump adotou uma postura de apaziguamento em relação aos autocratas e aos ditadores, colocando os seus caprichos pessoais acima dos interesses maiores do povo americano e do mundo livre. O que há de errado com Putin, que faz com que o presidente Trump elogie a sua subserviência?”

“Como é que os aliados dos Estados Unidos ainda podem confiar neste governo quando este se volta agora contra eles no meio da guerra e do sofrimento?”, acrescentou.

Ultimamente, Trump tem explorado ainda mais esta questão nos seus discursos nos meios de comunicação ucranianos. Anunciou um acordo surpreendente com Putin, permitindo a entrada de milhões de barris de gasóleo nos mercados globais — uma medida que injetará fundos diretamente na máquina de guerra russa. De seguida, a orquestra lançou uma campanha difamatória contra o Presidente Zelensky, alegando que era “mais fácil” negociar com Putin.

Esta tragédia tomou um rumo ainda mais grave quando Washington deixou de fornecer a Kiev, como é habitual, um alerta antecipado sobre um iminente ataque de míssil balístico russo. Além disso, parece que a Casa Branca ordenou o desligamento temporário do Starshield — a versão militar do sistema Starlink de Elon Musk, do qual dependem as forças armadas ucranianas.

“A lentidão do Starlink/Starshield e a inexplicável falta de aviso prévio sobre os ataques de mísseis russos estão a causar mortes desnecessárias de civis ucranianos”, afirmou Branson. “Até onde pode ir esta célula?”

“Escolhemos este caminho claro: os líderes europeus devem ultrapassar o choque inicial das recentes ações de Trump e assumir a responsabilidade. Tanto a liberdade da Europa como a soberania da Ucrânia estão em jogo. Ambas as causas valem a pena lutar”, continuou. “Todas as opções devem ser consideradas, desde a transferência de ativos russos congelados para a Ucrânia até ao fornecimento de sistemas de armas avançados, como os mísseis alemães Taurus.” “Porque raio vem o telemóvel? Não podemos deixar que o mundo livre seja desmantelado diante dos nossos olhos”, concluiu Branson.

"Não vamos mais concordar. Trump é um inimigo da Ucrânia, um inimigo da democracia e um inimigo do povo americano. Quando os Democratas regressarem ao poder, teremos muito trabalho pela frente. Todo e qualquer vestígio do legado deste homem monstruoso deve ser apagado."



segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Um livro

A Arte de Habitar o Caos, de Patrícia Rebelo, é um relato íntimo e honesto sobre viver com PHDA - Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, atravessar o luto, descobrir a maternidade e construir uma vida alinhada com os próprios valores.

Ao longo das páginas deste livro, a autora partilha a experiência de crescer sentindo-se diferente e sem compreender porque tudo parecia exigir um esforço extraordinário e invisível, mas também de como o diagnóstico de PHDA lhe trouxe respostas para perguntas que a acompanharam grande parte da vida. Entre memórias da perda da mãe aos 18 anos, a chegada da filha, os desafios da maternidade neurodivergente e a escolha de estilo de vida, este livro é uma reflexão sobre identidade, pertença e autocompaixão.

Mais do que um livro sobre PHDA, é uma conversa sobre aprender a viver entre o caos e a calma, a vulnerabilidade e a força, e descobrir que talvez não precisemos de nos consertar, apenas de nos compreender melhor. Com preciosos contributos da psicóloga Mariana Lucas Aguiar e da nutricionista Sandra Gomes Ferreira, este livro é uma história de vida, mas é também um guia para se aceitar e aprender a habitar o caos da PHDA.

A autora


Patrícia Rebelo é criadora de conteúdos digitais, autora, mulher, mãe, amiga e jiujiteira. Partilha diariamente nas redes sociais reflexões sobre maternidade, neurodivergência, saúde mental e escolhas de vida conscientes, sempre através de uma comunicação próxima, honesta e sem filtros. Diagnosticada com PHDA na idade adulta, encontrou na comunicação uma forma de organizar pensamentos, dar significado às suas experiências e criar pontes com outras pessoas que também se sentem diferentes. Na sua vida, procurou equilibrar a intensidade de um cérebro que nunca para com a simplicidade das coisas que realmente importam. Para partilhar esse percurso, Patrícia Rebelo escreveu A Arte de Habitar o Caos.


sábado, 24 de outubro de 2026

A poucas horas de mais uma mudança.

Na madrugada de 25 de Outubro, Portugal volta a entrar no horário de inverno. Os relógios vão recuar uma hora, uma mudança que se repete todos os anos, apesar de a União Europeia discutir desde 2018 a possibilidade de acabar com esta prática. O processo continua sem uma decisão, mas a Comissão Europeia lançou um novo estudo para avaliar as consequências da adoção de um horário permanente.

O atraso dos relógios faz com que o domingo tenha 25 horas, na prática, o que permite dormir mais uma hora a quem mantiver o horário habitual de despertar. A principal diferença será sentida na distribuição da luz natural: o sol vai nascer e pôr-se mais cedo, de acordo com o relógio.

A mudança sazonal foi adotada em vários países europeus para aproveitar melhor a luz natural e reduzir o consumo de energia, sobretudo através de uma menor utilização da iluminação artificial. No entanto, os benefícios energéticos são hoje considerados reduzidos. A própria Comissão Europeia reconheceu, quando propôs acabar com a prática em 2018, que os estudos apontavam para poupanças marginais. Na União Europeia, as mudanças estão harmonizadas para evitar diferenças de calendário entre países, nomeadamente nos transportes e nas atividades económicas.

A alteração do horário pode perturbar temporariamente os padrões de sono e o relógio biológico, responsável por regular os ciclos de descanso e de vigília. Algumas pessoas podem sentir maior cansaço ou dificuldade de adaptação nos dias seguintes.

Bom fim de semana.