O antigo diretor de Manutenção do Modo Elétrico da Carris, Filipe Fraga, e Gustavo Pita Soares, sócio-gerente da MNTC, empresa responsável pela manutenção dos elevadores históricos de Lisboa, foram constituídos arguidos no processo que investiga o acidente do Elevador da Glória.
A própria MNTC foi também constituída arguida, avança o
Público, que cita uma fonte ligada ao processo.
O inquérito está a ser
conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa,
com a colaboração da Polícia Judiciária. O Ministério Público deverá apresentar
uma acusação até ao final do ano, por suspeitas de violação das regras de segurança,
agravada pelo resultado morte. Os crimes em causa podem ser punidos com penas
de três a 10 anos de prisão.
A investigação estará focada,
entre outros aspetos, na manutenção do elevador e na fiscalização realizada
pela Carris.
Um relatório elaborado por uma
empresa de engenharia antes do acidente já tinha apontado que o cabo utilizado
no equipamento não era o mais adequado e deveria ser encarado apenas como uma
solução temporária, sujeita a monitorização adicional. Mais tarde, o relatório
preliminar do GPIAAF concluiu que o cabo que se rompeu não estava certificado
para instalações destinadas ao transporte de pessoas.
Segundo o jornal, o inquérito
terá ainda identificado outros indícios de falhas de segurança na manutenção,
incluindo a possibilidade de os travões terem sido deliberadamente desafinados
para evitar bloqueios durante a circulação das cabines.
O acidente aconteceu há quase um ano e provocou 16 mortos
e 24 feridos.


