segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Um livro

A Arte de Habitar o Caos, de Patrícia Rebelo, é um relato íntimo e honesto sobre viver com PHDA - Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, atravessar o luto, descobrir a maternidade e construir uma vida alinhada com os próprios valores.

Ao longo das páginas deste livro, a autora partilha a experiência de crescer sentindo-se diferente e sem compreender porque tudo parecia exigir um esforço extraordinário e invisível, mas também de como o diagnóstico de PHDA lhe trouxe respostas para perguntas que a acompanharam grande parte da vida. Entre memórias da perda da mãe aos 18 anos, a chegada da filha, os desafios da maternidade neurodivergente e a escolha de estilo de vida, este livro é uma reflexão sobre identidade, pertença e autocompaixão.

Mais do que um livro sobre PHDA, é uma conversa sobre aprender a viver entre o caos e a calma, a vulnerabilidade e a força, e descobrir que talvez não precisemos de nos consertar, apenas de nos compreender melhor. Com preciosos contributos da psicóloga Mariana Lucas Aguiar e da nutricionista Sandra Gomes Ferreira, este livro é uma história de vida, mas é também um guia para se aceitar e aprender a habitar o caos da PHDA.

A autora


Patrícia Rebelo é criadora de conteúdos digitais, autora, mulher, mãe, amiga e jiujiteira. Partilha diariamente nas redes sociais reflexões sobre maternidade, neurodivergência, saúde mental e escolhas de vida conscientes, sempre através de uma comunicação próxima, honesta e sem filtros. Diagnosticada com PHDA na idade adulta, encontrou na comunicação uma forma de organizar pensamentos, dar significado às suas experiências e criar pontes com outras pessoas que também se sentem diferentes. Na sua vida, procurou equilibrar a intensidade de um cérebro que nunca para com a simplicidade das coisas que realmente importam. Para partilhar esse percurso, Patrícia Rebelo escreveu A Arte de Habitar o Caos.


sábado, 24 de outubro de 2026

A poucas horas de mais uma mudança.

Na madrugada de 25 de Outubro, Portugal volta a entrar no horário de inverno. Os relógios vão recuar uma hora, uma mudança que se repete todos os anos, apesar de a União Europeia discutir desde 2018 a possibilidade de acabar com esta prática. O processo continua sem uma decisão, mas a Comissão Europeia lançou um novo estudo para avaliar as consequências da adoção de um horário permanente.

O atraso dos relógios faz com que o domingo tenha 25 horas, na prática, o que permite dormir mais uma hora a quem mantiver o horário habitual de despertar. A principal diferença será sentida na distribuição da luz natural: o sol vai nascer e pôr-se mais cedo, de acordo com o relógio.

A mudança sazonal foi adotada em vários países europeus para aproveitar melhor a luz natural e reduzir o consumo de energia, sobretudo através de uma menor utilização da iluminação artificial. No entanto, os benefícios energéticos são hoje considerados reduzidos. A própria Comissão Europeia reconheceu, quando propôs acabar com a prática em 2018, que os estudos apontavam para poupanças marginais. Na União Europeia, as mudanças estão harmonizadas para evitar diferenças de calendário entre países, nomeadamente nos transportes e nas atividades económicas.

A alteração do horário pode perturbar temporariamente os padrões de sono e o relógio biológico, responsável por regular os ciclos de descanso e de vigília. Algumas pessoas podem sentir maior cansaço ou dificuldade de adaptação nos dias seguintes.

Bom fim de semana.

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Comparando ...

Nas presidenciais de 1986 - Freitas, Soares, Pintasilgo, Zenha - as pessoas apareciam nos comícios, arruadas e ações de campanha com as bandeiras e os cachecóis dos clubes de futebol do coração. Não se sabe quem começou ou como começou, e até foi motivo de reportagens em telejornais. Perdeu-se; foi só naquela campanha, vá-se lá saber porquê.

Agora são as bandeiras da Palestina em manifs e concentrações pelo direito à habitação e pela educação para todos. Em Portugal, Espanha, França, Albânia, Bélgica, onde quer que haja contestação. E estas até percebemos porquê, dispensam motivos de reportagem nos telejornais. A reportagem que devia ser feita era sobre como do governo aos jornalistas e comentadores avençados todos usarem o tema da bandeira como forma de desvalorizar o protesto e a contestação. A bandeira de cada um é a bandeira de cada um.

A liderança é dada pelo exemplo, dizem eles.


 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O governo que temos. E merecemos?

Da validade dos passaportes ao acesso à saúde. Há perto de 100 grupos criados pelos governos de Montenegro e zero reformas.

O governo gaba-se de estar a reformar o país, a oposição queixa-se de que está tudo na mesma. Indo à procura da veia reformista da AD de Luís Montenegro encontram-se apenas algumas mudanças e muitas intenções. De 2 de Abril de 2024 até hoje foram criados quase 100 grupos de trabalho, comissões e estruturas de missão, mas os resultados são incipientes. Reformas estruturais, nem uma.

Entre os grupos criados, encontra-se o grupo de trabalho para o novo modelo de passaporte português. Que tinha como objetivo alargar de cinco para dez anos a validade do documento. Ainda não aconteceu.

Como este, há muitos outros: na área da saúde, da habitação para professores, do financiamento de respostas sociais, da energia, da cibersegurança, do combate à pobreza, da educação especial, da justiça ou da juventude, para citar apenas alguns exemplos.

 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Personalidades

Raúl Augusto Almeida Solnado é consensualmente considerado o pai do humor moderno em Portugal. Num país dominado pela rigidez da censura e pelo cinzento do Estado Novo, Solnado trouxe uma lufada de ar fresco, introduzindo o humor do absurdo, a comédia de pé (stand-up) e uma capacidade ímpar de comunicar com o público de todas as idades.

Nascimento: 19 de Outubro de 1929, na freguesia de Santos-o-Velho, Bairro da Madragoa, em Lisboa.

Solnado deu os primeiros passos no teatro amador na Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, passando rapidamente para o teatro de revista e a rádio. Em 1962, a sua carreira mudou para sempre com o célebre monólogo "A Guerra de 1908" (famoso pela frase "Liguei para a guerra e disse: 'É da guerra? Daqui fala do inimigo...'"). Este trabalho não só o consagrou nacionalmente, como se tornou um marco absoluto da comédia em língua portuguesa, chegando a vender centenas de milhares de discos.

A sua visão ultrapassava a representação: Solnado era um impulsionador cultural. Foi fundado do Teatro Villaret em Lisboa, um espaço que dinamizou a cena dramática da capital, e desempenhou um papel decisivo na criação e consolidação da Casa do Artista, uma instituição de apoio aos profissionais do espetáculo na sua velhice.

Na Rádio e Televisão de Portugal (RTP), Raúl Solnado foi rosto e motor de alguns dos formatos mais marcantes da história da televisão nacional:

"Zip-Zip" (1969): Criado por Raúl Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz, este talk-show gravado no Teatro Villaret revolucionou a televisão portuguesa. Emitido nas noites de segunda-feira, tornou-se um fenómeno social, dando palco à música de intervenção, à discussão de ideias e a um humor inteligente no final da década de 1960.

"O Lápis Azul" (1966): Um programa inovador onde brincava com os limites da própria censura.

"A Visita da Cornélia" (1977): Concurso de grande audiência apresentado com o seu tom caloroso, ao lado da famosa vaca de peluche "Cornélia".

"E o Resto é Cantiga" (1981): Programa de entretenimento e música ligeira.

"Fazer Humor com o Humor que Temos" (1982): Formato inteiramente dedicado à análise e prática da comédia.

"Ponto de Encontro" (década de 1990): Onde revelou a sua vertente mais humana e empática ao promover o reencontro de familiares e amigos separados pelo tempo.

Raúl Solnado teve três filhos e vários netos, existindo uma forte continuidade artística na família:

Filhos:

Alexandra Solnado: Nascida do seu casamento com a atriz brasileira Joselita Alvarenga. Alexandra começou por seguir a carreira de atriz e cantora na juventude, tornando-se mais tarde uma reconhecida autora e escritora na área da espiritualidade.

Renato Solnado: Também filho do casamento com Joselita Alvarenga.

Mikkel Solnado: Filho da sua relação com a dinamarquesa Hanne Wilhelmisen. Mikkel seguiu de perto o mundo do espetáculo, afirmando-se como cantor, compositor e produtor musical.

Netos que seguiram as pegadas:

Joana Solnado: Filha de Alexandra Solnado, é a herdeira mais visível do talento dramático do avô. É uma das mais conhecidas e prestigiadas atrizes da sua geração em Portugal, com uma longa carreira na televisão (telenovelas e séries), no cinema e no teatro.

Solnado faleceu a 8 de Agosto de 2009 (aos 79 anos), no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de doença cardiovascular.