Sobre a criança de 18 meses que morreu depois de fechada durante várias horas, esquecida na viatura da instituição, sucedem-se as opiniões, os especialistas do teclado, os juízes do parece que. Enfim, uma panóplia de pareceres que não deveriam ter vindo a lume.
Vejamos:
A funcionária não é a única culpada.
Alguém enviou um código à Mãe confirmando que a criança estava na Instituição. O que era absolutamente falso. Não pode ter sido um simples lapso.
As educadoras e as auxiliares são também parte nesta desgraça.
Nenhuma percebeu que a menina não estava na creche?
Que o seu cabide estava vago na entrada e que
O seu lugar estava vago na mesa das refeições
E na hora da sesta?
Todas as pessoas que lidam com
as crianças naquela instituição foram acometidas de alguma doença súbita?
Qual é a justificação para este somatório impressionante
de erros sucessivos e chocantes.
Têm que ser TODOS constituídos
arguidos e todos terão que explicar o que é obviamente inexplicável.
Qual foi o Acontecimento
Extra-Terrestre que provocou amnésia e alheamento de toda aquela gente
envolvida no processo que TINHA A OBRIGAÇÃO de perceber que a menina NÃO ESTAVA
na Instituição?
Que funcionária é esta que já está a ser investigada por homicídio por negligência?
Querida Sofia, perdoa-nos.
Perdoa-nos porque os adultos,
aqueles em quem tu confiavas sem fazer perguntas, falharam contigo.
Tu não conhecias o perigo, não
sabias o que era a responsabilidade, não sabias o que era um erro.
Só sabias confiar e era isso
que bastava.
Tu não pediste muito à vida,
pediste colo, pediste mimo, pediste histórias antes de adormecer.
Pediste que alguém segurasse a
tua mão enquanto descobrias o mundo.
E esse era o nosso trabalho.
Proteger-te.
Mas falhámos.

