terça-feira, 18 de agosto de 2026

Quem realmente está por trás deste sistema? Ecologia ou negócio privado disfarçado?

O chamado “Programa Volta” está a ser apresentado como uma grande vitória ambiental. Mas quando se olha para quem manda realmente no sistema, percebe-se rapidamente que isto tem muito mais de engenharia financeira do que de ecologia.

A entidade que gere o sistema chama-se SDR Portugal. E atenção a este detalhe: não é um organismo público. É uma associação privada.

O presidente da organização é Leonardo Mathias, antigo Secretário de Estado da Economia e diplomata. Mas o verdadeiro poder está em quem fundou e financia o sistema: a Circular Drinks e a SDRetalhistas.

E quem está por trás dessas estruturas? Precisamente os gigantes das bebidas e os maiores grupos de distribuição do país. Estamos a falar de empresas ligadas à Coca-Cola, Super Bock, Central de Cervejas, Sumol+Compal e aos grupos donos do Continente, Pingo Doce, Lidl, Auchan, Mercadona, Aldi e Intermarché.

Ou seja: as mesmas multinacionais que inundam o mercado com plástico descartável passaram agora a controlar o sistema que cobra mais 10 cêntimos ao consumidor em nome da “sustentabilidade”.

A União Europeia obrigou os países a aumentar drasticamente a recolha de garrafas plásticas até 2029 através do princípio do “poluidor-pagador”. Em teoria, quem coloca plástico no mercado devia assumir os custos ambientais da recolha e tratamento.

Mas em Portugal aconteceu algo muito curioso: em vez de criar um sistema público e independente que obrigasse os produtores a suportar diretamente os custos da poluição que geram, foi permitido aos próprios poluidores criarem e gerirem um sistema privado onde o consumidor paga adiantado e faz o trabalho logístico.

Compramos a bebida. Pagamos depósito. Guardamos lixo em casa. Transportamos embalagens. Esperamos por máquinas. E ainda corremos o risco de perder o dinheiro.

Porque aqui entra a parte mais interessante do negócio. Se a garrafa ficar amassada, se o código de barras não for aceite, se a máquina estiver avariada, ou simplesmente se a pessoa não tiver tempo para ir devolver embalagens, os 10 cêntimos ficam retidos no próprio sistema.

Não vão para o Estado. Não vão diretamente para um fundo ambiental público. Ficam dentro da estrutura privada criada e controlada pelas próprias marcas e grandes superfícies.

Chamam-lhe financiamento do sistema. Na prática, milhões de euros poderão ficar presos todos os anos graças ao esquecimento, desgaste ou impossibilidade das pessoas devolverem embalagens.

E tudo isto enquanto falamos de multinacionais com lucros anuais absolutamente astronómicos. Mesmo assim, conseguiram criar um modelo onde parte do esforço financeiro e logístico passa diretamente para as famílias.

E há outra pergunta que quase ninguém faz.

Se o objetivo fosse realmente ecológico, porque é que o foco continua quase exclusivamente na reciclagem de plástico e latas em vez de apostar fortemente na reutilização de vidro?

Todos nós conhecemos o sistema antigo das cervejas e águas reutilizáveis nos cafés: recolher, lavar, esterilizar e voltar a usar. Décadas a funcionar. Mas reutilizar obriga as multinacionais a alterar linhas de produção, logística e margens de lucro.

Reciclar plástico mantém o ciclo do descartável vivo.

A reciclagem mecânica continua a gastar enormes quantidades de água e energia enquanto se produz mais plástico novo. No fundo, venderam-nos isto como uma revolução ecológica.

Mas o que muita gente vê é outra coisa: os maiores produtores de plástico passaram a controlar o sistema que lucra com a gestão do próprio problema que criaram.

A raposa ficou oficialmente a guardar o galinheiro! 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Quem se lembra do programa "A Filha da Cornélia"?

Foi um programa de entretenimento e concurso de talentos transmitido pela RTP1, em 1994. O programa foi criado por Fialho Gouveia e Raul Solnado e surgiu na sequência de "A Visita da Cornélia", um dos programas mais conhecidos da televisão portuguesa. Apresentado por Fialho Gouveia, "A Filha da Cornélia" dava oportunidade a novos talentos de mostrarem as suas capacidades perante o público e um júri. Os concorrentes participavam em diferentes provas e podiam demonstrar os seus talentos no canto, na música, na dança, na representação, na imitação e na interpretação de textos.

Embora não fosse o apresentador do programa, Raul Solnado continuou ligado ao projeto, participando através da personagem Cornelinha, levando ao programa momentos de humor. A presença de Solnado ajudava a manter a ligação ao universo da Cornélia e ao espírito do programa original.

"A Filha da Cornélia" estreou-se na RTP1, a 14 de Fevereiro de 1994 e teve 35 programas, sendo o último transmitido a 30 de Dezembro do mesmo ano.

O programa combinava entretenimento, humor e a descoberta de novos artistas. Apesar de não ter alcançado o mesmo impacto de "A Visita da Cornélia", manteve uma boa aceitação junto do público e representou um novo encontro entre dois grandes nomes da televisão portuguesa: Fialho Gouveia e Raul Solnado.

Mais uma memória desbloqueada. 

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Esqueça a água fria do Algarve. Há uma praia onde a temperatura da água chega aos 30 graus.

 Antes de mais, importa dizer que não é preciso atravessar o oceano para encontrar praias de areia branca, águas cristalinas e temperaturas tropicais. Na Europa há um destino que reúne todas essas características e que foi distinguido como a melhor praia europeia, graças à combinação entre beleza natural, águas quentes e preços acessíveis.

A vencedora do European Beach Index 2024, elaborado pela seguradora britânica Quotezone, foi a Praia de Nissi, situada em Ayia Napa, no Chipre. Com Bandeira Azul, esta praia destaca-se pelas águas transparentes, cuja temperatura se mantém acima dos 25°C durante o verão e pode atingir os 30°C em agosto, tornando-se um dos destinos preferidos dos viajantes.

Além das suas condições naturais, o estudo valorizou ainda o custo da estadia, a qualidade da oferta turística e a segurança da praia, fatores que contribuíram para colocar a Praia de Nissi no topo da classificação.

O segundo lugar foi atribuído à Praia de Mellieha Bay, em Malta, conhecida pelas suas águas calmas e cristalinas, ideais para nadar e praticar mergulho. A fechar o pódio ficou a Praia de Portorož, na Eslovénia, destacada pelas temperaturas agradáveis do mar, pelos preços mais económicos e pelas ondas suaves, características que fazem deste destino uma excelente opção para famílias com crianças.

Portugal também figura na lista, através da Praia da Falésia, no Algarve, que alcançou a sétima posição entre as melhores praias da Europa.

No extremo oposto da classificação ficou a Praia de Palombaggia, na ilha francesa da Córsega. Apesar da sua beleza, os elevados custos com alojamento, alimentação e transportes penalizaram a sua posição no ranking. Já a Praia de Bournemouth, em Inglaterra, ocupou o penúltimo lugar, sobretudo devido às temperaturas mais baixas da água e do ar.

Para elaborar o ranking, a Quotezone analisou vários critérios, entre os quais a temperatura média da água, a temperatura do ar durante o verão, o número de avaliações de cinco estrelas atribuídas pelos visitantes, o custo médio diário de uma viagem e a altura das ondas, com o objetivo de identificar os destinos que proporcionam a melhor experiência balnear na Europa.