segunda-feira, 14 de setembro de 2026

É preciso lembrar ...

 

Lembrar é um imperativo. Lembrar Salvador Allende e o seu legado, mas também quem o derrubou, Augusto Pinochet. Passaram 53 anos desde o golpe militar que abalou o Chile, em 1973. Nesse 11 de Setembro, o presidente democraticamente eleito, Allende, foi assassinado em pleno palácio presidencial, na sequência de intensos bombardeamentos que envolveram tanques e aviões das forças armadas. Era o fim de um governo de esquerda que tinha tornado o Chile numa esperança para a América Latina e para o mundo, porque ali era a arraia miúda que protagonizava a História e a justiça e a dignidade formavam um património que era de todos. Era o início do domínio sangrento do general líder das forças armadas, aríete manobrado pela oligarquia chilena, detentora da propriedade e dos privilégios, e pela cínica garra dos serviços secretos norte-americanos. 

Neste aniversário do golpe militar de 1973, no Chile, recordam-se as dezenas de milhar de vítimas da ditadura de Pinochet, os que desapareceram, os que foram assassinados, presos, perseguidos e torturados, vítimas de um trauma coletivo que gerou um tsunami de dor e atingiu familiares e entes queridos. O ditador morreu em 2006, sem nunca ter sido condenado pela justiça chilena. Entretanto, há 5 anos, esta deu como provado o desvio de 17 milhões de dólares do erário público para contas da família Pinochet no estrangeiro.

Não há garantias de que a História não se repita. O ex-presidente chileno, Gabriel Boric, um jovem de 37 anos, assumidamente de esquerda, envidou esforços para que todas as forças políticas do país assinassem uma declaração conjunta afirmando que nunca, em hipótese alguma, se poderia voltar a justificar o recurso a um golpe militar. Os partidos mais à direita recusaram-se a assinar a declaração, tal como continuam a recusar-se a condenar o golpe militar de Pinochet. 

Nos nossos dias, recordar estes eventos é contribuir para a construção de uma memória coletiva que deve ser transmitida às novas gerações, se queremos formar cidadãos com pensamento crítico, com consciência da História, que valorizem a conquista dos direitos sociais e das liberdades democráticas, que respeitem a diversidade e o pluralismo, que sejam agentes da mudança, e não meros espectadores da mudança.

10 comentários:

  1. Já conhecia a história mas infelizmente a história repete-se e agora é o que se vê pelo mundo fora!
    Beijos e um bom dia!

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    1. Talvez tenha sido este um dos piores assaltos ao poder democrático.
      Beijos, Amiga, bom dia.

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  2. Também recordei essa enorme tragédia no Chile no meu Facebook!
    A História constrói-se a partir da memória!

    Abraço

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  3. Também recordei o golpe de Pinochet, apoiado pelos EUA, no Facebook.

    Que eu desse conta, nenhum canal televisivo português recordou a tragédia : estão muito ocupados em promover diariamente o grupo de extrema-direita .

    Abraço, boa semana.

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    1. A comunicação (dita) social gastou horas com o 11 de Setembro nas Torres Gémeas e arredores.
      Ninguém preencheu o espaço com o Chile e com o que de muito grave por lá se passou.
      Um abraço, São.

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  4. Não foi Allende que se suicidou para não ser capturado?
    Pinochet, um dos ditadores mais cruéis da história da América Latina, que, se a memória não me falha, nunca foi condenado por nenhum dos seus crimes e viveu uma longa vida.
    Não me lembrava que essa tragédia tinha acontecido num 11 de setembro.

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    1. Sim, Allende suicidou-se no mesmo dia - 11 Setembro - para não se render.
      Pinochet nunca foi condenado.

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  5. Sô António, desde o dia que nos disse que ia tirar um dia, que o meu feed não avisa dos seus posts, pode ver o que se passa.
    Obrigada

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  6. O outro 11 de Setembro.
    Para também não esquecer.
    Abraço

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